
Encontrava-me em meu perfeito estado anormal. Estava incompleta, permanecia uma incógnita, uma conta mal resolvida, um livro ainda não lido; meu amor, eu não te tinha. E ora, decerto não serviria se outro alguém resolvesse aproximar-se, e ambos sabemos. Precisava e queria apenas te ter. Eras tu, és tu e continuará sendo, meu amor. Para toda a eternidade, a nossa eternidade. Era necessário para mim, te abraçar e nunca mais soltar. É a saudade que dói. Saudade de um abraço o qual nunca senti arde aqui dentro — anda me consumindo a cada mísero segundo que se passa em fronte aos meus já cansados olhos. O sol que refletia ao espelho machucava, pois não saía de casa há dias. Eu te precisava. Virei suicida, assim como antes. É apenas a mesma viagem feita há uns tempos, apenas com diferentes passageiros. Sou eu quem controla o trem — o meu corpo já morto. O mesmo piloto descontrolado. Sinto que irei colidir novamente — sinto-me colidir. Sinto-me desmoronar. Estou morrendo; sou apenas uma outra suicida. E eu te perdi sem ao menos te ter, e dói. Só eu sei o quanto dói olhar para os lados e não poder te ver, não poder tocar-te a face. Mas eu sei, meu amor, sei bem que estás melhor sem mim, e devo sorrir por isso. Tu estás feliz, e ainda que não seja eu a fazê-lo, há alguém que ainda possa. Devo sorrir por isso. […] Tentar secar o rosto banhado em lágrimas já não é solução; elas insistem em cair. Os soluços não cessam, o medo continua crescente. As palavras não ditas me devoram por completo — tantas coisas foram deixadas para trás e, por fim, esquecidas no passado. Nunca puderam ser ditas. A inquietação permanece, estou enlouquecendo. Não sei ao certo o que fazer. Estou enlouquecendo, e dói, meu amor. Não sei ao certo como lidar com as situações dos dias que se passam — andaram se tornando tão cinzas. O céu perdera a cor, meu amor. Tu te foste sem ao menos chegar. Olho em volta; enxergo escuridão e nada mais. O que há comigo, meu amor? Eu deveria saber o que fazer, mas é tão difícil entender que às vezes é necessário esquecer — era necessário não lembrar. E ora, concordemos que tornou-se impossível lembrar de mim mesma antes de tudo. É com tentar restaurar uma fotografia já inexistente. Não me procure por entre os escombros da infelicidade; já não encontro-me lá. Reergui-me, mas meu amor, levantei-me quebradiça. Os pés sustentam algo diferente, e o espelho reflete a personificação do desconhecido. Não era mais eu. Dispersei-me, olhei para os lados e peguei um livro qualquer de minha estante empoeirada, e fora preciso folheá-lo até sua metade para perceber que, no fundo, doía amar. Doía ler e imaginar nós dois como protagonistas do perfeito conto de fadas. Sei bem que sou forte — ou costumava ser —, mas não quando se trata de ti, meu amor. Perco as forças, abro sorrisos. És tu quem eu desejo e tanto preciso. Não tente me parar quando pensares que podes, pois tu não conseguirás, e me perdoe. Sei que me magoarei, mas não hei de desistir. Que cuide-me ao longe então. Não me darei por vencida. E se partir por acaso querendo te encontrar, não ouse fugir, prometo-te que não demorarei. Não demorarei, e espero que até lá, tu não te esqueças o quanto eu amo-te ainda. c-onfusion

Já tive dias melhores. E a saudade desse tempo é algo que não me falta. Eu era feliz e realmente não sabia, porque se soubesse, com certeza, daria muito mais valor a cada momento, a cada sorriso. Se eu pudesse voltar no tempo, não pensaria duas vezes em voltar e ficar de uma vez por lá, mas sabe, não é a toa que se chama passado. Agora, chegou a hora de parar de só querer andar pra traz e dar uma chance para o futuro. Novas pessoas, novos lugares, quem sabe novos amores? (…) É tudo muito incerto, eu sei. Ao pensar no futuro, lembro-me de quando me perguntavam o que queria ser quando crescesse. Na época, imaginava tantas profissões, umas que hoje em dia, nem se passam mais pela minha cabeça. Quando criança nunca tive certeza ao dizê-las, mas hoje me equivoco a responder essa pergunta com toda certeza do mundo. Quando crescer, quero ser feliz. Somente feliz. A melhor profissão do mundo. O que mais poderia querer da vida?! Eis que vem aquele serzinho inquieto dizer: “é impossível ser feliz sozinho…”. Só tenho algo a dizê-lo, é possível sim, infelizmente ainda não descobri como, mas ainda irei descobrir e ainda irei ser muito feliz, mesmo que sozinha, irei. E claro, sozinha não é bem do jeito que gostaria de estar, ele está lá, e eu aqui e blábláblá, não vale a pena gastar meu latim falando dele, mesmo que eu goste. Ele é passado, e como eu disse, passado que fique no passado. Um brinde ao futuro, um brinde ao novo eu. — erro-515
